Coco de mer, Aldabra e as espécies endémicas.
As Seicheles guardam plantas e animais que não existem em mais lado nenhum. Um pequeno mundo à parte.
Um arquipélago que evoluiu sozinho
As Seicheles são o único arquipélago de granito do planeta a meio de um oceano. Separadas de outras terras há dezenas de milhões de anos, quando o supercontinente Gondwana se fragmentou, desenvolveram espécies que não existem em mais lado nenhum. É um museu vivo da evolução, e dois dos seus tesouros são Património Mundial da UNESCO.
O coco de mer
A maior semente do reino vegetal, que pode pesar mais de vinte quilos, cresce apenas no Vallee de Mai, em Praslin, e na vizinha Curieuse. A palmeira que a dá tem uma forma que alimentou lendas durante séculos, e o vale, com o seu dossel fechado e o som das folhas, parece uma floresta pré-histórica. É Património Mundial, e visita-se em duas a três horas por trilhos marcados.
As tartarugas gigantes de Aldabra
O atol de Aldabra, um dos maiores atóis de coral do mundo e o segundo sítio Património Mundial das Seicheles, abriga a maior população de tartarugas gigantes do planeta, mais de cem mil. É tão remoto e protegido que se mantém quase intocado, um dos ecossistemas mais puros da Terra. Fora de Aldabra, veem-se tartarugas gigantes em liberdade em Curieuse e em muitos hotéis e jardins.
Aves e vida marinha
Ilhas como Aride, Cousin e Bird são santuários de aves marinhas, com colónias de milhões de andorinhas-do-mar. La Digue guarda o raro papa-moscas-do-paraíso, a Veuve, e Praslin o papagaio-preto. Nos recifes, protegidos em vários parques marinhos como o de Sainte Anne, vive uma vida abundante de tartarugas marinhas, raias e peixe colorido, o encanto do snorkeling e mergulho.
Um património a respeitar
Toda esta riqueza é frágil. Não toque nem alimente as tartarugas, não pise o coral, leve o lixo consigo e respeite as regras dos parques e reservas. As ilhas protegem quase metade do seu território, e é essa proteção que as mantém como as vê.
Como visitar o Vallee de Mai
O Vallee de Mai fica no centro de Praslin e visita-se num circuito de trilhos marcados que leva entre uma e três horas, conforme o ritmo. Abre todos os dias de manhã e paga-se um bilhete de entrada na reserva. Vá cedo, quando está mais fresco e a floresta está mais calma, e leve calçado fechado, água e repelente. Ao início do dia há mais hipóteses de ouvir o raro papagaio-preto, a ave nacional das Seicheles, que só se reproduz aqui e em Praslin. Há guias no local que apontam as palmeiras macho e fêmea e explicam a lenda que fez os navegadores chamar-lhe coco do mar.
As tartarugas gigantes, onde as ver
A grande população vive em Aldabra, longe demais para uma visita normal. Mas não precisa de lá ir para as ver de perto. Em Curieuse, a curta distância de barco de Praslin, centenas de tartarugas gigantes de Aldabra andam à solta e cruzam-se com quem percorre os trilhos. Muitos hotéis e jardins têm as suas, e em Bird Island vive a Esmeralda, uma das maiores tartarugas do mundo em liberdade. São gentis e curiosas, podem passar dos cem anos, mas não se alimentam nem se montam. Um afago no pescoço, com respeito, é quanto basta.
As ilhas dos pássaros
Três pequenas ilhas são santuários de aves e valem uma saída de barco. Aride guarda algumas das maiores colónias de aves marinhas do Índico ocidental. Cousin, reserva natural, foi onde se salvou da extinção a toutinegra-das-seicheles e é um ninho importante de tartarugas-de-pente. Em Bird Island, entre maio e outubro, nidificam centenas de milhares de andorinhas-do-mar, um espetáculo de som e movimento. E em La Digue, a pequena reserva da Veuve protege o papa-moscas-do-paraíso, do qual restam poucas centenas.
Flora rara e vida marinha
Além do coco de mer, as ilhas guardam plantas que quase não existem noutro sítio, como a rara árvore-medusa e a planta-jarro que cresce nos cumes de granito do Parque Nacional do Morne Seychellois, em Mahe. No mar, o Parque Marinho de Sainte Anne, criado em 1973, foi o primeiro parque marinho do oceano Índico. Nas praias certas nidificam tartarugas-marinhas, e ao largo de Mahe passam tubarões-baleia em certas épocas, inofensivos e enormes. É por isso que o snorkeling e o mergulho aqui rendem tanto.
Visitar sem deixar marca
Quase metade do território das Seicheles está protegido, e é essa disciplina que mantém tudo isto vivo. As regras são simples e fazem toda a diferença. Não toque nem alimente as tartarugas, não pise nem parta o coral, e escolha um protetor solar que não agrida os recifes. Leve o lixo consigo, fique nos trilhos marcados e não retire conchas, corais nem sementes, a começar pelo coco de mer, cuja exportação é controlada. Vê-se muito mais quando se anda devagar e em silêncio.
O essencial, respondido.
O que é o coco de mer?
A maior semente do reino vegetal, que pode pesar mais de vinte quilos. A palmeira que a produz só cresce no Vallee de Mai, em Praslin, e na vizinha Curieuse, ambos protegidos.
Onde se veem as tartarugas gigantes?
A maior população vive no atol remoto de Aldabra, Património Mundial. Mas veem-se tartarugas gigantes em liberdade em Curieuse, ao largo de Praslin, e em muitos hotéis e jardins das ilhas principais.
Quais são os sítios Património Mundial das Seicheles?
Dois, o Vallee de Mai, em Praslin, e o atol de Aldabra. Ambos reconhecidos pela UNESCO pela sua natureza única.
Que animais endémicos há nas Seicheles?
Além do coco de mer e das tartarugas gigantes, há aves como o papa-moscas-do-paraíso de La Digue e o papagaio-preto de Praslin, mais colónias enormes de aves marinhas em Aride, Cousin e Bird.
